quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

TRANSPORTE PÚBLICO É QUALIDADE DE VIDA

Texto extraído do blog de Marcus Quintella

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Entendo que qualidade de vida de uma população deve ser sustentada por cinco pilares: educação, saúde, saneamento básico, segurança pública e transporte de massa. Como não sou especialista nos quatro primeiros pontos, vou concentrar-me apenas no transporte de massa, mais especificamente o transporte metroferroviário, que, sem dúvida alguma, é indutor de desenvolvimento urbano sustentável, promotor da integração com os demais modos de transporte, causador de valorização imobiliária e gerador de empregos em diversos setores da economia, além de ser um importante vetor de reaquecimento da engenharia nacional e da indústria. Ao mesmo tempo, o transporte metroferroviário consegue reduzir expressivamente o número de acidentes e mortes no trânsito, economizar combustível, melhorar significativamente os índices de poluição sonora e atmosférica e proporcionar mais conforto e ganhos de tempo a seus usuários.

No quesito tempo de viagem, por exemplo, nenhum outro modo de transporte pode levar tanto benefício para as populações da periferia, que moram a grandes distâncias dos locais de trabalho e chegam a ficar de 3 a 4 horas por dia dentro de um meio de transporte. O tempo é um valioso bem intangível e a economia de tempo que pode ser proporcionada pelo transporte metroferroviário é um benefício fundamental para as pessoas, que podem usar o tempo ganho com suas famílias, descansando, em atividades de lazer ou de qualquer outra forma. Os projetos de transporte não deveriam apenas quantificar monetariamente as reduções de tempo de viagem, mas demonstrar qualitativamente os seus benefícios e garantir que eles efetivamente ocorram. A qualidade de vida está diretamente relacionada ao tempo livre das pessoas. Pode-se dizer que não há vida para aqueles que não têm tempo.

Os investimentos para a construção e expansão de sistemas metroferroviários são, realmente, de grande monta, mas, em longo prazo, esses investimentos sempre produzem os magníficos benefícios citados anteriormente, que os tornam plenamente viáveis sob o ponto de vista sócio-econômico. Um sistema de transporte público de qualidade contribui com a redução da pobreza, pelo fato de ser o meio de acesso ao trabalho, hospitais, escolas, áreas públicas de lazer e serviços sociais essenciais ao bem-estar dos menos favorecidos.

Não consigo enxergar outra solução diferente do transporte metroferroviário para resolver os graves problemas de mobilidade urbana nas grandes metrópoles brasileiras, visto que as vias urbanas já estão saturadas e a construção de mais viadutos, mergulhões e linhas expressas somente criarão mais problemas para a população. Não tenho dúvida alguma que cidades servidas por sistemas de transporte baseado em trilhos urbanos, integrados e abrangentes, são mais felizes e oferecem maior qualidade de vidas para seus cidadãos.